Aos 15 anos, estudante de Juiz de Fora descobre 8 novos asteroides em projeto da Nasa

Rafaela Bovareto passou 25 dias analisando as imagens do espaço enviadas pelo Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí. Programa ‘Caça Asteroides’ é parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e o International Astronomical Search Collaboration.

“O meu sentimento pela astronomia é a coisa mais linda que eu já senti. Tenho uma vontade imensa de divulgar a ciência e uma paixão pela astronomia e pelo universo”. Estas são as palavras de Rafaela Bovareto, estudante de Juiz de Fora, que aos 15 anos de idade descobriu 8 novos asteroides para a Nasa.

De 2 a 27 de setembro, Rafaela participou do programa “Caça Asteroides”, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), realizado no Brasil em parceria com o International Astronomical Search Collaboration (IASC/NASA).

Ao g1, ela contou que passou 25 dias analisando, diariamente, as imagens do espaço enviadas pelo Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí. Esta foi a 1ª vez que Rafaela participou do projeto.

Exemplo de imagens recebidas pela estudante de Juiz de Fora pela Nasa — Foto: Nasa/Reprodução

“Durante a campanha, analisei 25 pacotes de imagens utilizando o software ‘Astrometrica’. Para achar os asteroides, é preciso perceber que eles possuem movimentos definidos nas órbitas, o que outros objetos na imagem, como, por exemplo, estrelas e planetas, não apresentam”, explicou.

“Assim, quando encontrei possíveis asteroides, fiz marcações neles, colocando as 3 primeiras letras do meu nome e em seguida, enviei os relatórios para a Nasa. Toda sexta-feira era liberada uma lista de asteroides preliminares, e eu tive 8 detecções”.

Os participantes que conseguiram detectar asteroides podem nomeá-los como quiser. Rafaela afirmou que pretende dar aos 8 asteroides encontrados por ela os nomes das pessoas que ama, das cachorrinhas de estimação e do cientista, Carl Sagan, a maior inspiração dela.

Simulação da órbita de um dos asteroides descobertos pela adolescente, o RBB0003 — Foto: Rafaela Bovareto/Arquivo Pessoal
Simulação da órbita de um dos asteroides descobertos pela adolescente, o RBB0003 — Foto: Rafaela Bovareto/Arquivo Pessoal

Amor pela astronomia

A paixão pela astronomia e pelo universo surgiu ainda criança, aos 6 anos. Nove anos depois, Rafaela mantém o amor pela ciência com um perfil nas redes sociais, onde também divulga resenhas literárias e fala sobre filosofia.

“O meu sentimento pela astronomia é a coisa mais linda que eu já senti. Tenho uma vontade imensa de divulgar a ciência e uma paixão pela astronomia e pelo Universo. Meu amor pelo cosmos é como uma chama que queima em mim. É um amor gigante pelo desconhecido e uma busca constante pelos limites da mente humana”.

Na tentativa de levar o sonho ainda mais adiante, Rafaela agora estuda para o processo seletivo da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, que pretende formar equipes de brasileiros para participação na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA) e na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA).

“Também pretendo escrever um artigo científico, argumentando sobre como transformar uma garrafa de café em um buraco negro, por meio de teorias científicas e cálculos. No futuro, pretendo fazer faculdade de astronomia e trabalhar na área de pesquisa e divulgação científica”, adiantou Rafaela.

Programa ‘Caça Asteroides’

O programa “Caça Asteroides MCTI” é realizado em uma parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações com o International Astronomical Search Collaboration (IASC/NASA) e visa popularizar a ciência entre cidadãos voluntários. Esta foi a 2ª edição do evento.

Os participantes tiveram a oportunidade de fazer descobertas astronômicas originais e participar da astronomia prática.

O programa é de abrangência nacional e internacional e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência vinculada ao MCTI, Instituto Brasileiro de Informações em Ciência e Tecnologia (IBICT), unidade de pesquisa vinculada ao MCTI e a Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso (SEDUC).

Conjunto de imagens que mostra o movimento de um dos asteroides descobertos. Nela, é possível perceber o movimento definido do asteroide na órbita dele — Foto: Rafaela Bovareto/Arquivo Pessoal
Conjunto de imagens que mostra o movimento de um dos asteroides descobertos. Nela, é possível perceber o movimento definido do asteroide na órbita dele — Foto: Rafaela Bovareto/Arquivo Pessoal

Por G1 Zona da Mata

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