Varíola dos macacos: primeira morte no Brasil e nova suspeita em JF acendem alerta

Cidade teve o primeiro caso confirmado da doença na última semana; entenda como está a situação no município

No último dia 22, Juiz de Fora confirmou o primeiro caso de varíola dos macacos, quase um mês depois da primeira confirmação em Minas Gerais. Em todo o estado, 44 pessoas tiveram testes positivados para a doença, enquanto outros 69 pacientes da rede de saúde estadual com suspeita de contaminação aguardam o resultado de exames e uma pessoa morreu. Ao contrário do que ocorre no estado, ainda não há transmissão comunitária da enfermidade em território juiz-forano, mas a comunidade médica segue em alerta com a proliferação da doença. Na sexta-feira (29), um novo caso suspeito de varíola dos macacos passou a ser investigado na cidade, conforme informação da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF).

A primeira morte em razão da doença foi confirmada pelo Ministério da Saúde, também na sexta, dias após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter reconhecido a enfermidade como emergência de saúde global. O óbito foi registrado em Uberlândia e foi informado que se trata de um homem, sem mais detalhes como idade e comorbidades.

Na cidade, o paciente infectado com a varíola dos macacos era acompanhado pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) desde o dia 20 e foi a segunda suspeita de contaminação no município, uma vez que outra hipótese da doença havia sido descartada em 30 de junho pela SES-MG.

No comunicado em que confirmou a infecção, a Prefeitura informou tratar-se de um caso importado e que o paciente segue em isolamento domiciliar, “mantendo bom estado geral de saúde” e sendo monitorado pela Vigilância Epidemiológica. Os exames que confirmaram a varíola dos macacos foram feitos na Fundação Ezequiel Dias (Funed). Na nota, o Executivo reforçou a importância das medidas de proteção. Foi a primeira confirmação da doença na Zona da Mata, que teve o segundo teste assinalando a enfermidade em Cataguases, na segunda-feira (25).

O subsecretário de vigilância em saúde da PJF, Jonathan Ferreira Tomaz, ressaltou que o município não possui transmissão comunitária da enfermidade. Questionado sobre a chance de subnotificação, ele minimizou. “Os serviços de saúde têm sido constantemente orientados com relação a circulação do vírus e possível ocorrência de casos. Então, acreditamos que não há subnotificação, mas que alguns casos podem ser confundidos com outras doenças, daí a importância da vigilância”.

No âmbito estadual, a SES-MG afirma que apenas Belo Horizonte tem transmissão comunitária da doença. Entre os pacientes confirmados com a doença no estado, todos são homens, com idades entre 22 e 44 anos e em boas condições clínicas. Dois deles passam por acompanhamento hospitalar por conta da necessidade de isolamento. A pasta ainda informa que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Minas) acompanha diariamente as notificações de casos e monitora as pessoas que tiveram contato com os infectados.

Doença já virou emergência de saúde global

A OMS, no último dia 22, reconheceu o avanço da varíola dos macacos como uma emergência global de saúde. Com registro da doença em 75 países, a entidade classificou o contexto de proliferação da enfermidade como “extraordinário”. A partir da classificação, a organização passa a emitir alertas contra a propagação do vírus e pode propiciar maiores investimentos em pesquisas sobre as causas da doença, além de impulsionar as buscas por tratamentos eficazes. O estado de emergência ainda obriga agências sanitárias pelo mundo a aumentar as medidas preventivas.

O subsecretário de vigilância da PJF, Jonathan Ferreira Tomaz, ressalta que “o foco, agora, é tratar a doença com prioridade a fim de se evitar o aumento de casos” (Foto: Arquivo pessoal)

A declaração da OMS aconteceu mesmo sem consenso entre os membros do comitê de emergência da entidade. Entretanto, segundo o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi levada em conta a veloz proliferação da doença. “Em suma, temos um surto que se espalhou rapidamente pelo mundo por meio de novos modos de transmissão sobre os quais entendemos muito pouco e que atendem aos critérios das regulamentações internacionais de saúde”, disse.

O subsecretário de vigilância da PJF, Jonathan Ferreira Tomaz, afirma que a nova classificação da varíola dos macacos mundialmente não modifica as medidas de contenção da doença em Juiz de Fora, que incluem diagnóstico rápido, isolamento dos casos e divulgação de informações para conscientização. “O foco, agora, é tratar a doença com prioridade a fim de se evitar o aumento de casos”, constata. O Executivo municipal, segundo ele, atua reforçando as orientações aos profissionais e serviços de saúde da cidade, além de monitorar os casos suspeitos e controlar o fluxo de atendimento.

A varíola dos macacos foi identificada pela ciência em 1958, mas não se mostrava capaz de alcançar um nível de proliferação como o atual e ficou restrita a partes da África central e ocidental por décadas. No último mês de maio, autoridades de saúde detectaram epidemias na Europa, na América do Norte e em outros continentes, iniciando um movimento que seguiria pelos meses seguintes e alcançaria, em julho, a escala de dezenas de países com registros.

Prevenção

A varíola dos macacos é causada por um vírus semelhante ao da varíola humana e apresenta sintomas como dor de cabeça, febre, dor no corpo e surgimento de lesões com pus, que podem deixar cicatrizes. O contágio acontece por meio da secreção respiratória e dos fluidos corporais, sendo que as bolhas surgidas no corpo do indivíduo contaminado podem impulsionar o contágio.

No Brasil, as lesões têm aparecido na área genital, o que pode levar a confusão entre a varíola dos macacos e infecções sexualmente transmissíveis. A doença, por outro lado, não tem se demonstrado altamente letal.

Medicamentos e vacinas para se proteger da varíola são usados ​​para prevenir e tratar a varíola dos macacos. Entretanto, como a varíola foi erradicada há mais de 40 anos, as vacinas estão em falta. A mudança de classificação na OMS também pode ser um fator impulsionador de investimentos em imunizantes e fármacos. 

Israel Malthik

Nasceu em São João Nepomuceno. É Técnico em Administração e Fotografia Artística. Foi fotógrafo da APCEF (Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal), freelancer em jornais como Estado de Minas e Agência Minas. Premiado por diversos clubes e grupos fotográficos. Atualmente é fotojornalista da Rádio Difusora de São João Nepomuceno. Israel Malthik também foi atuante, como fotógrafo, em editoriais de moda em grandes marcas da Zona da Mata Mineira. Atualmente além de ser o proprietário da Malthik Fotografia, realizando casamentos, batizados e eventos, é sócio-proprietário na empresa Cuidarte Home Care.

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