Cobranças e duras críticas dominam debate sobre abastecimento, qualidade da água e atuação da Copasa em São João Nepomuceno
Créditos: Reportagem e imagens Aristides dos Santos/ Informações: Câmara Municipal, Copasa
RESUMO DAS CRÍTICAS, COBRANÇAS E POSICIONAMENTOS DOS VEREADORES; VEJA NO FINAL TODA A REUNIÃO ATRAVÉS DO LINK DISPONIBILIZADO NO YOUTUBE

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Parlamentares detalham problemas enfrentados pela população e pressionam por respostas efetivas da concessionária
SÃO JOÃO NEPOMUCENO, quarta-feira, 22 de abril de 2026 — A reunião ordinária da Câmara Municipal, agendada para hoje, foi marcada por relatos contundentes, críticas diretas e cobranças detalhadas dos vereadores sobre o sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário no município, expondo dificuldades enfrentadas pela população no dia a dia.
O procurador municipal Michel Souza, representando a Prefeitura Municipal de São João Nepomuceno, reconheceu falhas no sistema e questionou o modelo de fiscalização da ARSAE (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais). Ele apontou baixa capacidade técnica, limitação operacional — com possibilidade de fiscalização a cada 8 anos — e destacou que o município não possui autonomia para aplicar multas, já que a regulação está delegada ao Estado. Informou ainda que o Executivo estuda a transição para outro modelo regulatório.

No plenário, os vereadores aprofundaram as críticas com uma série de apontamentos:
O vereador Édison de Souza Silva relatou a corrida de moradores às minas d’água, evidenciando a desconfiança na qualidade e as constantes interrupções do abastecimento público. Diante disso, informou que solicitou à Vigilância Sanitária uma atenção rigorosa na análise da qualidade dessa água alternativa, consumida por parte da população. Também destacou afundamentos de vias públicas após intervenções de empreiteiras e questionou a atuação da ARSAE, afirmando que multas são mais recorrentes em cidades maiores.
Ele ainda cobrou prazo para o fim do despejo de esgoto em córregos, sendo informado que a previsão é dezembro de 2026, com o desafio adicional de interceptar redes clandestinas, o que não será possível em um primeiro momento.


A vereadora Fabiana Andrade afirmou que “não é mais possível lavar roupa branca” na cidade, evidenciando o impacto direto da qualidade da água no cotidiano da população.
O vereador Matheus Muscardi e o vereador Vivaldi D’Ávila defenderam a realização de uma Audiência Pública, ampliando o debate com a população.
Foram discutidos ainda problemas de variações de energia elétrica e falhas nas 15 unidades de bombeamento, sendo informado que a empresa passou a contar com geradores elétricos para minimizar interrupções.
O vereador Irio Henriques criticou a falta de comunicação prévia da visita de representantes da empresa, diz que ele ficou sabendo da vinda dos representantes praticamente no horário da reunião, e cobrou deles reciprocidade em relação ao apoio popular à permanência da COPASA no município (quando o contrato estava por vencer, houve um abaixo assinado com a manifestação de 7.000 moradores).
A vereadora Eluza Salvador Côrtes elogiou a prestação de contas.

O presidente da Câmara, Leonardo Oliveira, denunciou valores considerados abusivos nas contas, apresentou amostras de água escura e relatou problemas persistentes na Rua Mário Martins de Oliveira, com impactos no trânsito e na rotina dos moradores.
O vereador Leonardo Dutra relatou situações críticas envolvendo famílias sem acesso adequado à água, incluindo idosos e crianças, além de casos na zona rural, como gado morto em reservatórios, evidenciando o impacto direto das falhas no abastecimento.
Os vereadores Nei Medina e Ana Paula Silva reforçaram as cobranças, destacando falta de água, baixa qualidade, falhas de comunicação e dificuldade de resolução dos problemas.
Apesar das críticas, houve reconhecimento à atuação do encarregado local Herenio Gruppi, definido como porta-voz da empresa no município.
PRESTAÇÃO DE CONTAS — COMPLEMENTO

A COPASA apresentou investimentos de 55 milhões de reais, sendo 38 milhões em esgotamento sanitário e 17 milhões no abastecimento de água, com obras em andamento e novas licitações.
Entre os destaques estão a implantação de redes coletoras, construção de 5 elevatórias (com 3 em fase final) e a Estação de Tratamento, com previsão de operação em 2027. A adutora já foi concluída, com previsão de funcionamento até dezembro de 2026.
RESPOSTAS E ENCAMINHAMENTOS
Participaram do encontro, que corresponde as 11ª e a 12ª Reuniões Ordinárias da Câmara Municipal, e foram sabatinados pelos vereadores, os representantes da COPASA: Luiz Eduardo Carvalho (gerente de expansão sul), Públio Reis (gerente regional de Ubá) e Felipe Estevão Magalhães (superintendente).
Durante as respostas, a empresa destacou entregas concretas previstas a curto prazo, com impacto direto no abastecimento. A adutora já concluída tem previsão de entrar em operação até dezembro de 2026, ampliando a vazão com captação no Rio Novo. Já no início de 2027, com a ativação das elevatórias e avanço da Estação de Tratamento, o sistema deverá apresentar melhora significativa na regularidade e qualidade da distribuição.
A COPASA também confirmou a substituição progressiva das redes antigas de ferro fundido na área urbana, com mapeamento já realizado e execução programada. Essas intervenções exigirão interdições de trânsito e recuperação do pavimento, em alinhamento com a Prefeitura. São cerca de 5 km de rede.
No campo do esgotamento sanitário, foi reafirmado o compromisso de reduzir e encerrar o despejo de esgoto em córregos até dezembro de 2026, com a implantação de redes coletoras e funcionamento das 5 elevatórias, sendo 3 já em fase final. A empresa destacou, no entanto, o desafio técnico de interceptar ligações clandestinas, que não serão totalmente eliminadas neste primeiro momento.
Sobre a qualidade da água, os representantes informaram a aplicação de 130 parâmetros de monitoramento, com coletas periódicas a cada 3 meses, conforme exigência da ARSAE. Também explicaram que são realizadas descargas na rede para reduzir problemas causados por tubulações antigas, além da instalação de registros de descarga — sendo 46 implantados em 2021, com previsão de novas unidades e instalação de válvulas de descarga ao longo do sistema.
Os representantes da empresa afirmaram que, com esse pacote de medidas operacionais e estruturais, há a expectativa de que empresa e população “façam as pazes” até o fim de 2026, com melhora perceptível no abastecimento e na qualidade da água.
Em relação às falhas no abastecimento causadas por energia elétrica, foi informado que o sistema agora conta com geradores, garantindo maior estabilidade nas 15 unidades de bombeamento.
A empresa afirmou ainda que realizará avaliação individual das contas questionadas, podendo haver reembolso em caso de erro comprovado, e que todos os demais problemas apresentados serão analisados tecnicamente, incluindo nova intervenção na Rua Mário Martins de Oliveira, com instalação de válvulas de descarga.
Também foi sugerida a realização de uma Audiência Pública em até 40 dias, ampliando o diálogo com a população. Representantes da COPASA lamentaram falhas de comunicação que levaram ao cancelamento de uma audiência anteriormente agendada.
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https://www.youtube.com/live/mFXlTS7AGrM?si=5AMyUArv5Z65eadj
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Síntese da reportagem
⚠️ Cobranças intensas
- Água escura, falta de abastecimento e contas abusivas
💧 Impacto na população
- Uso de minas d’água
- Situações críticas com famílias e zona rural
🏗️ Obras e soluções
- Adutora em operação até dezembro de 2026
- Sistema ampliado a partir de 2027
🌊 Esgotamento sanitário
- Fim do despejo em córregos previsto para 2026
- Desafio com ligações clandestinas
📣 Encaminhamentos
- Substituição de redes e válvulas de descarga
- Possível reaproximação entre empresa e população até o fim do ano

