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Covid-19: pesquisador da UFJF busca desenvolver medicamento para tratar síndrome respiratória, uma das principais complicações causadas pela doença

O projeto foi contemplado com uma verba de R$ 80.300, por meio do edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Uma das principais complicações causadas pelo coronavírus é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Diante disso, pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) buscam desenvolver um medicamento direcionado ao tratamento da síndrome.

A SRAG é uma doença respiratória grave, caracterizada por uma inflamação pulmonar intensa e exige internação. Ela é causada por vírus, seja ele o novo coronavírus (Sars-CoV-2), o Influenza (H1N1) ou outros, e ainda não existe um consenso científico sobre o tratamento adequado, por isso, a maioria dos médicos aposta no uso dos corticoides – fármacos que são anti-inflamatórios e imunossupressores para controlar o quadro.

Segundo o professor da faculdade de Farmácia da UFJF e líder da pesquisa, Guilherme Diniz Tavares, dentre os medicamentos mais utilizados atualmente para tratar a síndrome está a dexametasona, que pode ser administrada por via injetável ou em comprimidos.

A pesquisa busca utilizar o fármaco por via pulmonar, visto que a inflamação causada pela SRAG acomete diretamente o pulmão

“Ao aplicar no local necessário, temos dois benefícios: uma ação mais concentrada – que permite reduzir a dose do fármaco – e uma redução nos efeitos colaterais, já que os corticoides costumam apresentar uma alta prevalência desses efeitos quando aplicados por via oral ou injetável”, explicou Tavares.

Transporte do medicamento por nanopartículas

A principal inovação do projeto é incluir a nanotecnologia — ciência que permite a manipulação de estruturas pequenas — no processo de transporte do medicamento até a via pulmonar, de maneira que a dexametasona seja liberada nos pulmões em nanopartículas.

De acordo com o professor, a tecnologia permite uma distribuição mais uniforme na região pulmonar, além da liberação gradual do medicamento.

“Além disso, o material dessa nanopartícula é um polímero de origem natural que possui propriedades anti-inflamatórias. Ou seja, estamos associando um corticoide de maneira bem mais localizada a um agente que também é adequado ao tratamento”, apontou.

Como as nanopartículas são produzidas em meio líquido, o pesquisador pontuou, ainda, que é necessário “secar” a dispersão produzida para obter uma formulação inalatória em forma de pó.

Posteriormente aos ensaios iniciais com as nanopartículas, o medicamento inalatório será avaliado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Mesmo que a vacina contra a Covid-19 diminua casos graves, medicamento é relevante, aponta UFJF

Apesar dos imunizantes contra a Covid-19 diminuírem casos graves de pessoas contaminas com a doença, a existência da vacina não anula a proposição de um medicamento capaz de controlar a síndrome respiratória, que também pode ser causada por outros vírus.

“As vacinas já impedem a evolução do quadro inflamatório. Entretanto, infelizmente, temos os não vacinados. Então, essas pessoas são os pacientes que atualmente estão evoluindo para casos mais graves. Não sabemos ainda se as outras possíveis variantes do vírus serão cobertas pelas atuais vacinas. Pensar em um medicamento para tratar os sintomas advindos desta infecção ainda é algo promissor e de muita relevância”, completou.

Financiamento do projeto é mais de R$ 80 mil

O projeto, nomeado de “Nanopartículas poliméricas contendo dexametasona para o tratamento da síndrome respiratória aguda grave relacionada à COVID-19: estudo de escalonamento, investigação da eficácia e avaliação da estabilidade após inclusão em formulação inalatória” foi contemplado com uma verba de R$ 80.300, por meio do edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A equipe conta com os pesquisadores Fernanda Vilela e Frederico Pittella, docentes da Faculdade de Farmácia, e o professor Gilson Macedo, do Departamento de Parasitologia, Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas.

Também integram o projeto os pesquisadores Helvécio Rocha e Michelle Sarcinelli, da Fiocruz.

Por G1 Zona da Mata

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