Autismo: A Difusora luta, junto com familiares de autistas, contra o preconceito e por maior conscientização da população
A história do menino Erick e da “caixinha mágica que fala” , até chegar a ser “locutor por um dia” na Rádio Difusora:
No mundo, estima-se que 1 a cada 160 crianças tenha algum grau de Transtorno de Espectro Autista. No Brasil, estima-se que 1 em cada 50 crianças. No país, eles são 2 milhões de pessoas em todas faixas etárias.
Em Minas Gerais, estima-se que sejam 1% da população, entre adultos e crianças (20. 538. 718 habitantes), apesar de números altos, foram emitidas no primeiro semestre deste ano, apenas 8.686 carteiras de identidade para autistas mineiros (Ciptea).
Mas, todos estes números estão muito abaixo da realidade. Às vezes, nem os próprios pais sabem que seus filhos possuem TEA, outras vezes, adultos com menor grau de TEA convivem com o transtorno a vida inteira, desconhecendo este fato, e são taxados como “pessoas exóticas” ou temperamentais, contudo, apesar disso, vivem uma “vida comum”, com relacionamentos afetivos, carreira profissional, estudos, amizades etc.
A história do menino Erick Alvim e a “caixinha mágica que fala“
Em São João Nepomuceno há 120 laudos, mas não há estatísticas oficiais relacionadas ao tema. No interior, há poucos estudos relacionados ao assunto. Contudo, se fôssemos aplicar a média estadual teríamos, à título de hipótese, entre 200 a 300 pessoas com algum grau de autismo, talvez muito mais, e dentre aqueles que possuem laudo está o garoto Erick Alvim, filho do casal Samuel e Larissa Alvim.
Erick, atualmente com 5 anos, de acordo com a mãe, sempre foi muito esperto e curioso: ele começou a aprender a ler por volta dos 2 anos de idade. E aprendeu a escrever antes da maioria das crianças mas, apesar disso, a mãe lembra que ele demorou muito para aprender a falar.
“Eu nunca desconfiei ( que ele possuía TEA), mas me incomodava o atraso na fala dele, porém não imaginava que poderia ser autismo. Uma amiga minha, que é pedagoga, percebeu alguns comportamentos, sinais de autismo e me alertou. (…) Após a avaliação (por uma psicóloga), levamos o relatório ao neuropediatra e ele foi diagnosticado”– revela a mãe.
Ao longo da primeira infância, o garoto, muito próximo da avó Cleonice (que tem hábito de ouvir rádio), começou a prestar atenção em algo estranho: a avó tinha uma “caixinha mágica” , uma “caixinha falante”.
Começa aí a história dele com a Rádio Difusora…

“Quero ser repórter“
Em maio, após a inauguração do Centro Municipal de Educação Infantil “Professor Ubi Barroso Silva”, em 16/05, um menino com olhos brilhantes observava atentamente o conhecido locutor Aristides dos Santos que, após 15 anos em SP, e muito tempo longe do rádio, fazia uma reportagem sobre o evento para a emissora.
Educadamente, Erick aguardou o fim da transmissão e disse: “Agora é minha vez de fazer reportagem“.
Aristides cedeu o microfone e o menino se mostrou muito falante com o microfone na mão, nem parecia ser a criança que “demorou para aprender a falar” …
“Locutor por um dia”
De acordo com os pais, a família está muito feliz por este gesto de compreensão, carinho com a criança e o apoio da Rádio Difusora à causa dos pais e familiares com filhos autistas na cidade: “foram compreensíveis e generosos conosco e com nosso filho”.
Após três meses de seu primeiro contato com um microfone e virar uma celebridade no Whatsapp ( o vídeo foi compartilhado em dezenas de grupos de pais e familiares de autistas na região de Juiz de Fora), Erick foi convidado pelo locutor Vitor Guilherme ( foto abaixo), criador do quadro “Locutor por um dia”, para mais uma edição do programa.

O menino esteve neste sábado (26/08), junto dos pais, no programa – que está sendo bastante comentado nos grupos de Whatsapp.
Lá, das 10h às 12h, ele anunciou nomes de músicas, “mandou alôs” para ouvintes e até ensaiou a leitura de “testemunhais” ( propaganda “ao vivo”).
De acordo com o radialista, já passaram pelo programa, que completa 10 anos em 2023, cerca de 200 inscritos, de crianças à idosos, pessoas de todas as classes sociais, da zona urbana e rural, mas ele revela à reportagem que foi a primeira vez que uma pessoa com TEA foi “locutor por um dia“.

De acordo com os pais, a família está muito feliz por este gesto de compreensão, carinho com a criança e o apoio da Rádio Difusora à causa dos pais e familiares com filhos autistas na cidade: “foram compreensíveis e generosos conosco e com nosso filho”.
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