Falece aos 93 anos Paulo Gotti, ex-locutor da Rádio Difusora e químico da Companhia Fiação e Tecelagem Santa Martha
Créditos: Reportagem Aristides dos Santos/ Informações – imagens: familiares, amigos e jornalista Adriana de Freitas.
**SÃO JOÃO NEPOMUCENO SE DESPEDE DE UM DOS PERSONAGENS DA ERA DE OURO DO RÁDIO E DA INDÚSTRIA TÊXTIL.

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📌 São João Nepomuceno – MG
O ex-locutor da Rádio Difusora e químico da Companhia Fiação e Tecelagem Santa Martha faleceu aos 93 anos, deixando um legado na comunicação e no desenvolvimento industrial do município.
SÃO JOÃO NEPOMUCENO, quarta-feira, 15 de julho de 2026 – São João Nepomuceno perdeu, nesta quarta-feira (15), um de seus personagens históricos. Faleceu, aos 93 anos, no Hospital São João, Paulo Gotti, ex-locutor da Rádio Difusora de São João Nepomuceno e profissional que também dedicou grande parte de sua vida à Companhia Fiação e Tecelagem Santa Martha, onde atuou como químico. Seu falecimento acontece justamente na véspera do aniversário de 73 anos da Rádio Difusora, celebrado em 16 de julho, coincidência que reforça sua ligação com uma das instituições mais tradicionais da comunicação regional.
Nascido em 2 de abril de 1933, na cidade de Colatina (ES), Paulo Gotti construiu sua trajetória em São João Nepomuceno, tornando-se conhecido tanto pelo trabalho na radiodifusão quanto pela atuação na indústria têxtil.
Na Companhia Fiação e Tecelagem Santa Martha, exerceu a função de químico, sendo responsável pela preparação, formulação e controle das tintas produzidas a partir das matérias-primas utilizadas no processo de fabricação dos tecidos. Paralelamente, viveu sua paixão pela comunicação, integrando a equipe da Rádio Difusora em um dos períodos mais marcantes da história da emissora.
Paulo Gotti ingressou na Rádio Difusora no final da década de 1950, permanecendo na emissora durante toda década de 1960. Atuou como locutor comercial e comentarista esportivo aos domingos, apresentando programas que marcaram época, entre eles o Encontro com o Ouvinte, que promovia contato direto entre o locutor e os ouvintes por meio de uma linha telefônica, além da leitura de pedidos musicais enviados pela população.
Também comandou o programa esportivo Flagrantes Esportivos e integrou a equipe do jornal falado Voz de São João no Ar, apresentado aos sábados, entre 11 horas e 12 horas, a partir das edições do tradicional jornal Voz de São João.
Em depoimento concedido à jornalista Adriana de Freitas, para a monografia “Rádio do Interior – A Serviço da Comunidade”, apresentada em 2003 na Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Paulo Gotti relembrou que trabalhou ao lado de Cláudio Temponi e Otto Alves Ribeiro, locutor bastante conhecido em Juiz de Fora.
Na mesma entrevista, recordou que a participação dos ouvintes era intensa e que o rádio mantinha uma relação muito próxima com a população. Segundo ele, a Rádio Difusora alcançava municípios como São João Nepomuceno, Juiz de Fora, Astolfo Dutra, Guarani, Rio Novo e Bicas, reunindo uma audiência expressiva em uma época em que praticamente todas as atividades da emissora eram acompanhadas pela comunidade.
Paulo Gotti pertenceu à geração que viveu a chamada era de ouro do rádio brasileiro. Eram tempos em que a televisão ainda estava começando no interior do país, com poucos aparelhos e transmissões em preto e branco. O rádio era o principal veículo de informação, entretenimento e prestação de serviços. Nas residências predominavam os tradicionais aparelhos de madeira equipados com válvulas, enquanto, nos estúdios, praticamente toda a programação era produzida ao vivo.
Sem os recursos tecnológicos atuais, o trabalho dependia da experiência e da criatividade dos profissionais. Faziam parte da rotina das emissoras os jornais falados, programas musicais, transmissões esportivas, programas de auditório, radioteatros, novelas, apresentações de orquestras e a leitura ao vivo de textos comerciais. O improviso era uma das marcas daquele período, exigindo rapidez de raciocínio e domínio da comunicação.
Em outro momento da entrevista, Paulo Gotti revelou que permaneceu 12 anos na Rádio Difusora. Na época, dividia a rotina entre a emissora e a Companhia Fiação e Tecelagem Santa Martha. O acúmulo das duas atividades tornou-se desgastante e o levou a optar pela indústria, onde recebia melhor remuneração. Mesmo afastando-se do rádio, afirmou que nunca deixou de gostar da profissão e que sempre fazia questão de acompanhar a emissora sempre que surgia oportunidade.
Também deixou registrada sua visão sobre a importância da radiodifusão. Para ele, mesmo com todas as transformações tecnológicas, a missão do rádio permanecia a mesma: servir à população, divulgar as boas e as más notícias e integrar a comunidade. Defendia que o rádio não poderia permanecer isolado dentro dos estúdios, mas deveria participar ativamente da vida das pessoas.
O corpo de Paulo Gotti está sendo velado na Capela Mortuária de São João Nepomuceno. O sepultamento será realizado às 10 horas desta quinta-feira, 16 de julho de 2026, no Cemitério Municipal de São João Nepomuceno.
Paulo Gotti deixa as filhas Maria do Carmo Gotti Cestaro e Terezinha de Jesus Gotti, o neto Antônio Gotti Cestaro, a irmã Nair Gotti Leite, além de demais familiares. Sua esposa, Margarida Lucia Furiati Gotti, é lembrada in memoriam.
Com seu falecimento, São João Nepomuceno se despede de um profissional que deixou sua marca em duas importantes instituições do município. No rádio, ajudou a escrever um capítulo da história da Rádio Difusora durante sua fase mais emblemática. Na indústria, contribuiu para o desenvolvimento da Companhia Fiação e Tecelagem Santa Martha. Seu legado permanece associado a uma geração que ajudou a construir a memória da comunicação e do desenvolvimento econômico do município.


Síntese da reportagem
- 🕊️ Paulo Gotti faleceu aos 93 anos no Hospital São João.
- 🎙️ Integrou a Rádio Difusora desde o final da década de 1950, permanecendo por parte da década de 1960 e revelando posteriormente que atuou na emissora por 12 anos.
- 📻 Apresentou programas como Encontro com o Ouvinte, Flagrantes Esportivos e participou do Voz de São João no Ar.
- 🏭 Trabalhou como químico na Companhia Fiação e Tecelagem Santa Martha, sendo responsável pela formulação e controle das tintas utilizadas na fabricação dos tecidos.
- 🎓 Deixou importante depoimento histórico à jornalista Adriana de Freitas para pesquisa acadêmica sobre a história da radiodifusão regional.
- ⚰️ O sepultamento será às 10 horas desta quinta-feira (16), no Cemitério Municipal de São João Nepomuceno.
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Faltou contar que como viveu numa época antes do SUS, ele com is conhecimentos dele ajudou muitos pobres aplicando injeções inclusive ensinou minha falecida mãe essa prática, quando se esterilizava na Latinha, uma seringa de vidro e as agulhas. Eu o chamava de meu médico, pois cuidou da gente quando criança, não sei se todos, mas para meus pais foi um amigo estimado e respeitado.
Sugeri ao Emersom uma entrevista com ele, fiquei de conseguir seu telefone, quando eu o vi, ele estava já internado. Vou lembrar sempre dele descendo e subindo o morro do hospital, as vezes parávamos para conversar, era uma enciclopédia viva. Mais um Marco da nossa terra que Deus leva para Ele. Descanse em Paz meu médico.