Juiz de Fora tem o pior cenário da pandemia em Minas Gerais
Levantamento aponta que cidade tem cerca de 57 casos confirmados de Covid-19 a cada cem mil habitantes, o maior indicador entre os 20 principais municípios do estado
A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) vem trabalhando para adequar as medidas restritivas de combate à pandemia da Covid-19 aos protocolos definidos pelo Governo de Minas Gerais no âmbito do programa Minas Consciente. A expectativa é de que um decreto neste sentido seja publicado até o fim desta semana. A baliza estadual serve para definir políticas para a flexibilização ou não das autorizações ou restrições para o funcionamento de atividades diversas do setor produtivo, em especial de segmentos comerciais e de prestadores de serviço. Desta maneira, o município pode ser o principal teste do regramento definido pelo Estado, uma vez que Juiz de Fora apresenta o maior número de casos confirmados e de óbitos a cada cem mil habitantes entre as 20 maiores cidades de Minas Gerais.
Em levantamento feito pela reportagem com base nos números da Secretaria de Estado de Saúde (SES), em boletim divulgado na última terça-feira, dia 12, Juiz de Fora possuía 326 casos confirmados de contaminação por coronavírus. Com uma população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) de 568.873 pessoas, com base em estimativas divulgadas em 2019, isto corresponderia a 57,31 casos confirmados a cada bloco de cem mil habitantes. O indicador supera, por exemplo, o de Belo Horizonte que, também até terça, computava 966 confirmações de infecções pelo coronavírus. Com 2.512.070 habitantes de acordo com o IBGE, a capital do Estado tinha, no recorte, 38,45 casos a cada cem mil habitantes.
Na esteira de Juiz de Fora, outra cidade mineira com maior número de casos proporcionalmente, em comparação com a capital Belo Horizonte, é Divinópolis. O município tem 45,75 confirmações a cada cem mil habitantes. A cidade somava, até esta terça, 109 casos confirmados, e tem uma população de 238.230 moradores de acordo com o IBGE. Também apresentam um indicador acima de 30 casos a cada bloco de cem mil habitantes Pouso Alegre (36,49) e Uberlândia (35,15).
Óbitos
Cenário bastante similar é visto quando se avalia a relação entre o
número de óbitos e a população nas 20 maiores cidades de Minas Gerais.
Uma vez mais, Juiz de Fora encabeça os números, com o registro de 2,46
mortes confirmadas por Covid-19 a cada bloco de cem mil habitantes. Isto
porque, até esta terça-feira, a Secretaria de Estado de Saúde apontava
que a cidade possuía 14 óbitos por conta da doença provocada pelo
coronavírus. Novamente, o indicador é superior ao observado em Belo
Horizonte. Com 26 vítimas fatais registradas, a capital tem 1,04 óbitos a
cada cem mil habitantes.
Também com indicadores superiores ao da capital na relação entre o número de óbitos e a cada bloco de cem mil habitantes, aparecem Pouso Alegre, com 1,99 mortes a cada centena de milhares de pessoas; Poços de Caldas, 1,79; Uberlândia, 1,59; Barbacena, 1,46; Uberaba, 1,2; e Governador Valadares, 1,07.
Dados municipais revelam taxa ainda maior
O cenário da cidade fica ainda mais preocupante quando o recorte leva em consideração os números divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde, que divergem para mais em relação aos dados computados pelo Estado. Assim, de acordo com boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) na última terça-feira, o município já acumulava 392 casos confirmados e 21 óbitos causados pela Covid-19. Portanto, o número de casos a cada bloco de cem mil habitantes chegaria a quase 69 incidências. Com relação aos óbitos, a proporção chegaria a 3,7 mortes a cada cem mil habitantes.
Em comparação com outras cidades de porte similar da Região Sudeste, com população entre 400 mil e 700 mil habitantes, Juiz de Fora teria, todavia, um cenário “menos complicado”. Isto porque municípios de São Paulo e Rio de Janeiro, estados que estão entre os principais epicentros da pandemia no Brasil, têm indicadores mais impactantes. O maior indicador, todavia, vem do Espírito Santo. Em Vila Velha, o número de casos por bloco de cem mil habitantes chega a quase 230. Com 493.838 moradores, a cidade já computa 1.134 confirmações de infecções pelo coronavírus. Ao todo, são 33 mortes: 6,7 a cada universo de cem mil habitantes.
No litoral paulista, Santos tem 433.311 habitantes e 893 casos, o que corresponde a mais de 206 confirmações a cada bloco de cem mil habitantes. O município já computou 62 mortes. Também registram altos indicadores, acima de cem a cada universo de cem mil habitantes, as cidade de Serra, no Espírito Santo, com 194 casos confirmados a cada bloco de cem mil habitantes; Osasco, em São Paulo, com 164; e Niterói, no Rio de Janeiro, com 152 confirmações por centena de milhares de pessoas.
Na sequência, com uma população de 423.884 pessoas e 423 confirmados, segundo boletim da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, Diadema tem praticamente cem casos confirmados e 7,31 óbitos a cada a cada cem mil habitantes. Cenário bastante similar é observado também na cidade paulista de Mogi das Cruzes, que tem 92,63 casos confirmados e 6,28 óbitos a cada bloco de cem mil habitantes; e de São João de Meriti, no Rio de Janeiro, com 87.21 confirmações e 8,04 mortes também a cada universo de cem mil pessoas.
Com 70 casos por cem mil habitantes, Mauá, em São Paulo, tem uma proporção de diagnósticos bastante similar ao de Juiz de Fora, quando levados em consideração os números da PJF. Têm indicadores mais baixos que os juiz-foranos cidades como Belford Roxo (RJ), Montes Claros (MG), Betim (MG), Jundiaí (SP), Ribeirão Preto (SP), São José do Rio Preto (SP), Uberlândia (MG), Campos dos Goytacazes (RJ) e Sorocaba (SP).
Âmbito nacional
Quando considerados municípios de outras regiões com população entre 500 mil e 700 mil habitantes, Aracaju (SE) tem o cenário mais grave do recorte. Com uma população de 657.013 pessoas, a cidade computava 1.413 casos confirmados na última terça-feira, o que representa 215 incidências a cada cem mil habitantes. Com relação aos óbitos, todavia, o cenário era mais favorável que o observado em Juiz de Fora, uma vez que a capital sergipana computava 12 mortes: 1,98 a cada centena de milhares de habitantes.
Com uma proporção de casos em relação a sua população maior que a observada em Juiz de Fora, apareciam ainda Porto Velho, capital de Rondônia, com 209 casos confirmados e 6,8 mortes a cada bloco de cem mil habitantes; e Ananindeua, no Pará, com 163 confirmações de contaminações pelo coronavírus e 15,45 mortes pela Covid-19 por universo de cem mil pessoas. Cidades como Joinville (SC), Cuiabá (MT), Londrina (PR), Feira de Santana (BA), Caxias do Sul (RS) e Aparecida de Goiânia (GO) apresentavam indicadores na relação entre a doença e sua população melhores que os verificados no cenário juiz-forano da última terça-feira.

