Sexta- feira 13: Dia Nacional da Luta contra a Endometriose. Ginecologista e Diretora Clínica do Hospital São João alerta para sintomas, tratamento e importância do diagnóstico precoce
Créditos: Reportagem e imagem de estúdio Aristides dos Santos/ Informações – imagem arquivo pessoal: Dra. Joelma Alves
DIA NACIONAL DA LUTA CONTRA A ENDOMETRIOSE REFORÇA ALERTA SOBRE DOENÇA QUE PODE CAUSAR DOR CRÔNICA E INFERTILIDADE


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Diretora clínica do Hospital São João explica causas, sintomas, diagnóstico e tratamento da doença que afeta milhões de mulheres.
SÃO JOÃO NEPOMUCENO, sexta-feira, 13 de março de 2026 – O Dia Nacional da Luta contra a Endometriose chama atenção para uma doença que, apesar de comum, ainda é cercada de desinformação. Em conversa com a reportagem, a Dra. Joelma Alves, ginecologista obstetra e diretora clínica do Hospital São João, explicou que a endometriose é uma doença benigna que acomete principalmente mulheres em idade fértil, período em que o organismo feminino está em plena atividade reprodutiva.
Silenciosa e dolorosa, a endometriose causa diversos impactos na vida da mulher. No Brasil, a doença atinge cerca de 7 milhões de mulheres, o que representa aproximadamente 1 a cada 10 mulheres em idade reprodutiva. Levantamento da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) aponta ainda que mais de 60% das mulheres desconhecem os sintomas do problema, o que muitas vezes contribui para o atraso no diagnóstico.
Segundo a médica, a doença ocorre quando células do tecido endometrial, que normalmente revestem o interior do útero, acabam migrando para outras partes do corpo. Esses focos podem se instalar em locais como ovários, peritônio, trompas e até mesmo no intestino, provocando um quadro de inflamação e dor intensa.

A especialista explica que existem diferentes fatores que podem favorecer o surgimento da doença. Em alguns casos, pode estar relacionado a procedimentos cirúrgicos, como cesarianas. Em outros, ocorre devido ao chamado refluxo menstrual. Nessa situação, quando a mulher apresenta fluxo menstrual moderado ou intenso, parte do sangue pode não sair totalmente pelo canal vaginal e retornar pelas trompas, levando células endometriais para a cavidade abdominal, onde acabam se fixando em estruturas como peritônio e alças intestinais.
Com o tempo, essas células provocam processos inflamatórios e aderências, podendo unir intestino, ovários e ligamentos pélvicos, o que gera quadros de dor muito intensos. De acordo com a médica, em algumas situações a dor é tão forte que medicações orais não são suficientes, sendo necessária até medicação venosa para aliviar o sofrimento da paciente.
Entre os sintomas mais comuns estão dor pélvica intensa, cólicas menstruais incapacitantes, dor durante as relações sexuais, além de alterações intestinais, como dor anal, mudanças no funcionamento do intestino e, em muitos casos, infertilidade.
O diagnóstico geralmente é feito por meio de exame físico, associado a exames de imagem. A médica destaca que a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal é uma das mais indicadas para identificar focos da doença, pois permite uma visualização mais precisa das áreas afetadas. Também pode ser utilizada a ressonância magnética, capaz de detectar focos menores de endometriose.
Em relação ao tratamento, a especialista explica que, na maioria das vezes, inicia-se com tratamento clínico, utilizando hormônios de forma contínua para interromper a menstruação. Isso acontece porque, quando a mulher menstrua, os focos de endometriose fora do útero também sangram, o que provoca inflamação dentro da cavidade abdominal e causa dor intensa, semelhante a um quadro de peritonite, que é a inflamação do tecido que reveste a parede abdominal.
Nos casos mais complexos, pode ser indicado o tratamento cirúrgico, com o objetivo de remover as lesões e as aderências provocadas pela doença, permitindo que a paciente recupere a qualidade de vida e, em muitos casos, volte a ter fertilidade. Segundo a médica, muitas mulheres conseguem engravidar após o tratamento adequado da endometriose.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomenda que o acompanhamento dessas pacientes seja feito de forma multidisciplinar, envolvendo profissionais de diferentes áreas da saúde. Isso porque muitas mulheres enfrentam longos períodos de tratamento, com impacto físico e emocional, especialmente quando existe o desejo de engravidar.
De acordo com a Dra. Joelma Alves, quando diagnosticada e tratada corretamente, a doença pode ser controlada, permitindo que a paciente reduza as dores, recupere sua rotina e melhore significativamente sua qualidade de vida.
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🔎 Síntese da ocorrência
🩺 Alerta médico – Dra. Joelma Alves, diretora clínica do Hospital São João, explica os riscos e sintomas da endometriose
📊 Dados no Brasil – Cerca de 7 milhões de mulheres convivem com a doença; aproximadamente 1 em cada 10 pode ser afetada
⚠️ Sintomas principais – Dor pélvica intensa, cólicas fortes, dor nas relações, alterações intestinais e infertilidade
🔬 Diagnóstico – Exame físico, ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética
💊 Tratamento – Pode ser hormonal, para interromper a menstruação, ou cirúrgico, com retirada das lesões e aderências
🤝 Acompanhamento – FEBRASGO recomenda tratamento multidisciplinar para melhorar qualidade de vida e fertilidade das pacientes

