Números que preocupam: Violência Infantil em São João Nepomuceno
Denúncias Anônimas: 190 / 100

Ela enfatizou que alguns atendimentos, gerando parte destes 210 relatórios, envolveram mais de uma criança e também alertou sobre as subnotificações: os casos desconhecidos, abafados por familiares ou sob omissão de vizinhos são em número indefinido.
O Conselho Tutelar de São João Nepomuceno enviou dois de seus representantes à emissora, na manhã desta quinta (06) com a missão de participar das reflexões estimuladas pelo “Dia Mundial da Criança Vítima de Violência”, ocorrido no último dia 04.
A data foi criada pela ONU em 1982 para lembrar autoridades públicas dos poderes constituídos, organismos governamentais e não governamentais , famílias e população em geral da vulnerabilidade dos menores, principalmente, crianças.
Em São João Nepomuceno:
O Conselho Tutelar do município enviou ao programa os conselheiros Élida Sporch Ferreira, que está em seu terceiro mandato, e Mario Alves Monteiro Filho (Marinho), em seu segundo mandato.
Não foram ao programa para encobrir uma triste realidade ou empurrá- la para debaixo do tapete…
Élida destacou que, no primeiro semestre deste ano, foram 210 registros – uma média de 1,16 ocorrências por dia. Mas, a verdade está além disso.

Ela enfatizou que alguns atendimentos, gerando parte destes 210 relatórios, envolveram mais de uma criança e também alertou sobre as subnotificações: os casos desconhecidos, abafados por familiares ou sob omissão de vizinhos ou conhecidos são em número indefinido. A realidade não se resume às notificações.
As ocorrências se baseiam em situações que envolvem violência física, dentre elas verdadeiras torturas e castigos infligidos, ameaças, exploração, abusos e estupros. Mas, para além destes números, há ainda situações de abandono, como crianças por dias sem tomar banho ou trocar de roupas, unhas e cabelos sem cortar, além da evasão escolar, em decorrência de desagregação familiar ou violência doméstica – da qual não é diretamente uma das vítimas, mas vivendo em um ambiente insalubre de desavenças entre os pais, alcoolismo e agressão, sua vida escolar é frontalmente atingida.

Já “Marinho”, como psicólogo, disse que, na maioria dos casos, há sinais.
A comunidade escolar, pais, familiares e adultos, em geral, podem prestar atenção em “sinais”, normalmente desapercebidos, citando, obviamente, as mudanças de comportamento nas crianças, queda no desempenho escolar, a existência de sinais físicos que sugerem castigos ou torturas, contudo, alertou sobre sinais sutis, através de “desenhos livres”, através dos quais, as crianças podem revelar nos traços ou nas cores empregadas nos desenhos, espancamento, tortura, abusos diversos e estupros.
Isso pode vir de forma clara e objetiva ou podem deixa – los nas entrelinhas, instigando suspeitas nas pessoas mais atentas e perspicazes.
Ele destacou que, de modo geral, numerosos casos podem ser descobertos em decorrência de desenhos e que educadores, conselheiros e, quaisquer adultos, devem prestar atenção nestas atividades banais, em casa, ou em sala de aula.
Mario salientou que em eventos públicos e festas particulares, os responsáveis não devem perder as crianças do campo de visão, ilustrando um caso, na Zona da Mata, de responsáveis que foram a um churrasco levando uma menina e, por ter sido um ambiente entre familiares e amigos, a menina circulou livremente pelo local e, dando falta, ao procurarem, ela foi encontrada dentro de um “barril de combustível” vazio, dopada, com sangramento, conseguindo, posteriormente, ajudar na identificação do estuprador, que estava na festa na qualidade de amigo dos organizadores.
Também falou, de maneira geral, de casos de bonecas colocadas em “posição sexual” – um caso em particular, chamando a atenção de uma avó, culminando na revelação de que a criança estava sendo vítima costumeira de seu padrasto.
Atualmente no Brasil, 18 mil crianças são vítimas de violência doméstica por dia, o que, de acordo com os dados apresentados pela Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância (Sipani), representam 12% das 55,6 milhões de crianças menores de 14 anos de idade.
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mostram que 80% das agressões físicas contra crianças e adolescentes foram causadas por parentes próximos e, que, de hora em hora morre uma criança queimada, torturada ou espancada pelos próprios pais e/ ou responsáveis.
De acordo com especialistas, aproximadamente 70% das denúncias de agressão física contra crianças foram praticadas pela própria mãe, enquanto que o abuso sexual normalmente é praticado pelo pai ou padrasto.
Entretanto, se a maioria dos casos ocorrem em ambiente doméstico, os pais e familiares não devem baixar a guarda com “conhecidos” e “estranhos”. O perigo pode estar onde menos se espera.

