Presídio de Bicas: Após tentativa de motim, no último sábado,acaba de ser decretada uma quarentena no estabelecimento
Atualização às 18h de 09/11
Após tentativa de motim, no dia 03/11 (Sábado), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) decreta quarentena no presídio de Bicas.
Conforme informado por nossa reportagem no sábado, durante as manifestações de revolta, a tentativa de motim teria ocorrido após a interdição de uma ala, a suspensão de visitas familiares e entrevistas com advogados.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou, há pouco, que foram confirmados 9 casos de COVID-19 e, com isso, foi decretada uma quarentena no estabelecimento.
Neste período, uma nova medida também foi tomada: além da suspensão de visitas, não serão admitidos novos presos, até segunda ordem.
Acompanhe todo histórico do caso:
Atualização em 07/11:
Resposta ao pedido de esclarecimentos:
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública – SEJUSP de Minas Gerais esclarece que:
“Um colchão teria sido passado pelas grandes e, em seguida, incendiado e jogado no pátio da instituição. Outros objetos também foram arremessados, como pedras retiradas das paredes e jogadas contra os policiais penais. Diante da situação, a direção do local chamou por reforços.”
“Os detentos foram realocados para outras celas para a realização de limpeza e avaliação dos danos ao patrimônio”.
A SEJUSP informou que um procedimento administrativo foi instaurado para apurar o ocorrido e que os presos envolvidos na ação irão ser submetidos ao Conselho Disciplinar, estando sujeitos à sanções.
A SEJUSP também estuda cancelar as visitas no próximo fim de semana.
A Secretaria esclarece que houve uma “subversão da ordem“, pois o controle da unidade não foi perdido pelos policiais penais e os eventos foram controlados rapidamente, sem feridos. O que é diferente de um “motim” ou uma “rebelião”.
Motim (a intenção era obter esse resultado): a situação foge do controle, os presos saem da cela e tomam o pátio.
Rebelião: quando há reféns, pessoas feridas e confronto com forças de segurança (não ocorreu).
Matéria original:
O presídio de Bicas, administrado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública – SEJUSP de Minas Gerais, registrou princípio de revolta na manhã de hoje (sábado) .
Bicas – MG, 04/11/23, 11h:
Uma ala foi isolada e interditada, as entrevistas com advogados e visitas familiares foram suspensas neste sábado (04/11), até segunda ordem.
A unidade prisional, com capacidade para 100 pessoas, tem quase 150 detentos de cidades como São João Nepomuceno, Rio Novo, Bicas, Guarará, Mar de Espanha.
Essa unidade prisional ocupou um vão com a extinção da cadeia pública de São João Nepomuceno.
A Sra. Heloísa Maria Oliveira e Silva, moradora de Bicas e mãe do recuperando Rafael Oliveira e Silva, de 31 anos ela, junto com outras mães, procurou nossa reportagem assim que teve ciência dos rumores de motim circulando pelo Whatsapp, ela disse que tentou falar com a direção do presídio, mas que eles não estão repassando informações sobre os rumores aos familiares.
Conforme apuramos, os encarcerados estariam revoltados com um suposto surto interno de COVID-19 e, em decorrência disso, a suspensão de visitas familiares e entrevistas com advogados.
Informações de um grupo de advogados, ouvidos por nossa reportagem, confirmam a suspeita de surto, pois as entrevistas com seus clientes foram canceladas e foram orientados, caso precisem comparecer na unidade, a comparecer com máscara
Uma fonte da Polícia Penal informa que a tentativa de uma ala em causar um motim foi controlada, ainda pela manhã. À princípio, ninguém saiu ferido.
Informações de um grupo de advogados, ouvidos por nossa reportagem, confirmam a suspeita de surto, pois as entrevistas com seus clientes foram canceladas e foram orientados, caso precisem comparecer na unidade, a comparecer com máscara.
O estabelecimento, inaugurado em 2015, foi construído a partir de um prédio público abandonado e é um dos poucos estabelecimentos penais da região, fora de cidades de maior porte, como Juiz de Fora, Ubá e Cataguases.
Essa unidade prisional ocupou um vão com a extinção da cadeia pública de São João Nepomuceno.
No planejamento original, a construção deste presídio seria em São João Nepomuceno, autoridades do Governo do Estado chegaram a fazer vistorias em terrenos, fora do perímetro urbano, nas proximidades da sede do município, contudo, a ideia inicial foi substituída pela intenção de aproveitar instalações públicas sem uso em Bicas.
O presídio está localizado na Rua Alameda Santa, bairro Gilson Lamha.
A unidade foi construída com capacidade de 70 reclusos, todavia, com ampliações, conta com capacidade para 100 pessoas e já está em com 50% a mais de sua capacidade original.
O estabelecimento foi entregue ao Sistema Prisional, através de parcerias de prefeituras da região, como alternativa à sobrecarga em Juiz de Fora, tendo apoio de empresas, Comarcas da microrregião e do Ministério Público Estadual.
Na época, o estabelecimento foi inaugurado pela então Secretaria de Estado de Defesa Social, por meio da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi).

As instalações originais possuíam 5 mil m2, e foram concebidas para receber presos de São João Nepomuceno, Bicas, Guarará e Rio Novo. As adequações do prédio em desuso foram orçadas, à época, em 60 mil reais.

