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Reportagem da Rádio Difusora destaca “apagão” na saúde pública do estado e atraso de 8 anos nas obras do Hospital Regional (JF)

Pesquisa, redação e edição de imagem: Aristides dos Santos (com dados da Associação Médica Brasileira- AMB e Fundação Hospitalar de MG, obtidos via Lei de Acesso à Informação)

Para quem depende do SUS na região, entrar em uma fila de espera para consultas e, principalmente, cirurgias, é ser colocado numa angustiante luta pela vida. Ainda não há um estudo oficial ou de organizações independentes sobre o número de pessoas que vão à óbito, enquanto aguardam a fila de espera “andar”.

Também não se sabe quantos pacientes guardam sequelas causadas ao organismo, submetidos à lista de espera por cirurgias.

Esse ponto cego oculta uma verdadeira tragédia diária que aflige, principalmente, cidades do interior. Faltam médicos em todas as especialidades no estado mas, em Juiz de Fora, referência para os municípios da nossa região em cirurgias ortopédicas, o “apagão” é pior no setor de ortopedia, onde a espera por cirurgias pode demandar de semana à meses. A ordem de chegada e a gravidade ditam as prioridades no atendimento. Mas, nem sempre, uma cirurgia agendada é realizada na data programada.

Às vezes a cirurgia é agendada, mas pode ser cancelada na véspera e, até mesmo, horas antes do horário agendado, seja pela falta de cirurgião, de anestesista, falta de insumos ou surgimento inesperado de outra prioridade.

Às vezes, semanas e meses passam, a cirurgia é agendada, mas pode ser cancelada na véspera e, até mesmo, horas antes do horário agendado, seja pela falta de cirurgião, de anestesista, falta de insumos ou surgimento inesperado de outra prioridade.

Apesar de ser o terceiro estado no ranking de número de médicos no país (perde apenas para São Paulo e Rio de Janeiro), Minas Gerais vive um um verdadeiro “apagão” na área da saúde. O mais recente estudo ( primeiro semestre de 2023) realizado pela Associação Médica Brasileira (AMB) revela indicadores preocupantes.

Minas tem 21,4 milhões de habitantes e 62,2 mil profissionais; isso equivale a menos de três profissionais (2,91) para cada grupo de mil habitantes ( 2023, AMB). Se o critério for o interior (cidades com menos de 10 mil habitantes), é quase um médico para cada 2,5 mil habitantes.

Embora os prefeitos e gestores de estabelecimentos de saúde da região sejam pressionados pela população para contratação de especialistas, há grande dificuldade de atrair profissionais para o SUS. Para os profissionais não compensa.

Por exemplo, na Tabela do SUS, um médico receberia R$ 20,00 (vinte reais) por consulta, para esse mesmo atendimento, no particular, o médico consegue receber entre R$ 200,00 a R$300,00 ( duzentos à trezentos reais).

Entre os médicos, além da questão financeira, também há a queixa da ausência de plano de carreira e falta de recursos para um efetivo atendimento, que podem ir da falta de esparadrapo à equipamentos para exames e cirurgias, além de sobrecarrega de trabalho, um médico sozinho não pode atuar na ausência de anestesista e auxiliares, como o serviço de enfermagem.

Na Tabela do SUS, um médico receberia R$ 20,00 (vinte reais) por consulta, para esse mesmo atendimento, no particular, o médico consegue entre R$ 200,00 a R$300,00 ( duzentos à trezentos reais).

Mesmo que venha atuar no interior, o médico, como qualquer outro profissional na sociedade, sempre busca as melhores condições de trabalho e remuneração e isso provoca uma rotatividade em estabelecimentos de saúde do interior. Dificilmente o profissional “esquenta a cadeira” em um município.

Um relato muito comum entre gestores públicos e gestores de saúde é que, após acordo com profissionais para atendimento em seus municípios, não é raro o médico desistir. Prefeitos ou secretários de saúde de outras localidades, em desespero, “cobrem a oferta”. Eles sabem que “leilões” ( “quem pagará mais?”) deixam qualquer negociação, mesmo muito adiantada ou já concluída, em risco de ser desfeita em qualquer tempo.

O resultado dessa situação pode ser visto em forma de grandes filas de espera (ocasionais ou permanentes) nos postos de saúde e PAMs ( “pronto socorro”) , principalmente no inverno, quando a demanda relacionada à problemas respiratórios aumenta drasticamente. O problema abrange o atendimento emergencial, consultas, exames, internações e cirurgias.

Apesar de ser o terceiro estado em número de médicos, MG sofre com poucos médicos. Imagine a situação em outros estados.

Exemplos da defasagem no estado

Atualmente MG possui 853 municípios e uma população de 21, 4 milhões de habitantes, mas para toda essa quantidade de municípios e habitantes, possuímos apenas :

– 424 oncologistas

– 337 anestesistas

-192 alergistas ou imunologistas

-113 especialistas em radioterapia

– 97 especialistas em cirurgia de cabeça e pescoço

– 67 especialistas em reabilitação

É pouco? Sim, isso é ruim para toda população do estado, inclusive para quem conta com plano de saúde, mas essa pequena quantidade de profissionais equivale a um pesadelo para quem depende do SUS, pois, nem todos estes profissionais atuam no SUS (2023, AMB).

Tentativa de desafogar a região:

Quando o Hospital Regional (JF) fica pronto?

A pergunta “quando o Hospital Regional (JF) fica pronto?” tem sido repetida há 11 anos, porém, três anos após o início da construção, as obras foram paralisadas. A paralisação já chega há 8 anos.

Para nós, da micorregião de Juiz de Fora, a construção de um hospital regional aliviaria bastante a rede hospitalar de JF. O projeto saiu do papel, há 11 anos, através do repasse ao governo do estado de um terreno na Rua Henrique Burnier, no Bairro São Dimas (próximo à rodoviária), com 27 mil m2, para quitação de uma dívida de cerca de 132 milhões de reais do município com o estado (R$ 132.066.908,27), ficando o governo de MG com a responsabilidade de tocar a obra, arcando com os custos.

A pergunta “quando o Hospital Regional (JF) fica pronto?” tem sido repetida há 11 anos, porém, três anos após o início da construção, as obras foram paralisadas. A paralisação já chega há 8 anos. Dois dos motivos: irregularidades, como denúncias de fraudes, que geraram processos na Justiça impetrados pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e problemas na prestação de contas junto ao Tribunal de Contas.

Inicialmente, o hospital foi projetado para ter, pelo menos, 200 leitos e 40 UTI’s voltados para cerca de dois milhões de pessoas. Será referência para 100 cidades do entorno de Juiz de Fora, dentre os quais, os oriundos do Hospital São José em Bicas e o nosso Hospital São João.

Como as obras ficaram paralisadas e a data de inauguração é desconhecida, calor, frio, vento e chuva deixaram a estrutura exposta à desgastes ao longo dos anos. A retomada das obras foram prometidas pelo governador Zema, durante a campanha para reeleição, mas…

O hospital foi projetado para ter, pelo menos, 200 leitos e 40 UTI’s voltados para cerca de dois milhões de pessoas. Será referência para 100 cidades do entorno de Juiz de Fora

Para esta finalidade, foram empenhados pelo governo do estado, em abril, pouco mais de um milhão de reais (R$ 1.077.691,92), com a intenção de conclusão das obras em dezembro, no entanto, as obras não foram reiniciadas no mês passado, como desejado e o contrato de prestação deste serviço prevê a possibilidade de prorrogação do prazo, após a retomada.

Em se tratando de Brasil e analisando o histórico de paralisações nas obras do Hospital Regional, por questões administrativas e judiciais, dificilmente o ano chegará ao fim, finalizando também esta “novela”.

Conclusão

O SUS é um modelo de gestão de saúde pública admirado em todo mundo, no entanto, se o projeto é bom, a execução esbarra em problemas administrativos, orçamentários, judiciais e na desproporção na quantidade de médicos frente às demandas.

Porém, a conclusão é óbvia: o SUS é indispensável (ruim com ele, pior seria sem), todavia, os governos de estado e federal pecam por não terem projetos e políticas que possam, de fato, combater a corrupção e aperfeiçoar o sistema.

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Aristides Dos Santos

Formação: Graduação presencial em TV, Cinema, Rádio e Internet pela UNIBAN (Universidade Bandeirantes do estado de São Paulo), campus Osasco- SP. Habilitação: Trabalhos em audiovisual (cinema), atividades de radiodifusão RTV, produção de livros, revistas e jornais (impressos e digitais), criação e gestão de tráfego pago ou orgânico para internet

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