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Roda de conversa: Maio Furta-Cor amplia debate sobre saúde mental materna em São João Nepomuceno

Créditos: Reportagem e imagens Aristides dos Santos/ Informações: Organização

ANSIEDADE, SOBRECARGA EMOCIONAL, FALTA DE REDE DE APOIO E SILENCIAMENTO FEMININO MARCAM DEBATE SOBRE SAÚDE MENTAL MATERNA

📻97,3 FM/ 💻www.difusorasjn.com.br / 📌 São João Nepomuceno – MG

Profissionais destacaram que sofrimento psicológico na gravidez e no pós-parto ainda é minimizado socialmente e que o acolhimento precisa ultrapassar os consultórios e chegar às famílias, empresas e comunidades.

SÃO JOÃO NEPOMUCENO, quarta-feira, 27 de maio de 2026 — O movimento Maio Furta-Cor, dedicado à conscientização sobre a saúde mental materna, promoveu Ju uma roda de conversa no Museu Municipal de São João Nepomuceno, reunindo profissionais da saúde e representantes da rede pública para discutir os impactos emocionais enfrentados por mulheres durante a gestação, o pós-parto e a maternidade.

O encontro ocorreu às 18h45 e foi marcado por reflexões profundas sobre ansiedade, alterações hormonais, estresse durante a gravidez, gravidez precoce, exaustão emocional, falta de acolhimento familiar, ausência de rede de apoio e dificuldades de escuta dentro da própria família e também no ambiente profissional.

As falas destacadas na gravação referem-se à participação de Lara Novato, psicóloga do Hospital São João; Laís Fajardo, enfermeira do PSF José Maria Fam; Joyce Barbosa, psicóloga da Asfecer; Douglas Danelon, psicólogo particular e também atuante no SUS; Solange de Paula, doula e agente de saúde do PSF Três Marias; além da vereadora e mãe Ana Paula Silva.

Durante a roda de conversa, os profissionais ressaltaram que muitas mulheres passam pela maternidade em silêncio emocional, pressionadas por cobranças sociais que romantizam a figura materna enquanto ignoram o desgaste psicológico enfrentado diariamente.

A psicóloga Lara Novato alertou que alterações hormonais associadas à ansiedade, medo, insegurança e sobrecarga podem desencadear crises emocionais importantes se não houver acolhimento adequado.

A enfermeira Laís Fajardo abordou a importância do acompanhamento humanizado no pré-natal e lembrou que muitas gestantes chegam às unidades de saúde emocionalmente fragilizadas, principalmente em situações de vulnerabilidade social, gravidez precoce ou ausência de apoio familiar.

A psicóloga Joyce Barbosa enfatizou que a saúde mental materna não pode ser tratada apenas como uma questão individual, mas também social e coletiva. Segundo ela, muitas mulheres convivem com sentimentos de culpa, medo, solidão e exaustão sem espaço seguro para diálogo, apoio real e escuta.

Já o psicólogo Douglas Danelon chamou atenção para os riscos da automedicação, especialmente envolvendo medicamentos para ansiedade, calmantes e até suplementações vitamínicas utilizadas sem orientação profissional. Ele destacou que o sofrimento emocional precisa ser acolhido com responsabilidade e acompanhamento adequado, evitando agravamentos psicológicos e físicos.

A agente de saúde Solange de Paula destacou a realidade observada diariamente nas visitas domiciliares, onde muitas mães enfrentam jornadas solitárias, sobrecarga doméstica e ausência de uma rede de proteção eficiente, fatores que potencializam quadros de ansiedade e desgaste mental.

A vereadora Ana Paula Silva, parceira da iniciativa junto à Secretaria Municipal de Saúde, ressaltou a importância de ampliar políticas públicas e ações educativas voltadas à mulher, principalmente no fortalecimento da informação e do acolhimento emocional.

A mediação do encontro foi realizada pelo radialista Aristides dos Santos que mencionou que eventos educativos e preventivos nem sempre conseguem reunir o público ideal presencialmente, mas reforçou que a oferta da informação precisa acontecer independentemente do volume de adesão.

O radialista também destacou que cada pessoa presente se torna um agente multiplicador do conhecimento adquirido e ressaltou o papel das redes sociais e dos meios de comunicação na ampliação do alcance dessas mensagens, fazendo com que o debate ultrapasse as paredes do espaço onde o evento foi realizado. Inclusive, é o que está sendo feito através dessa reportagem

Ao longo da roda de conversa, os participantes reforçaram que cuidar da saúde mental da mulher não representa fragilidade, mas sim prevenção, proteção familiar e promoção de qualidade de vida. Os profissionais também lembraram que mães emocionalmente acolhidas tendem a criar ambientes mais seguros e saudáveis para o desenvolvimento emocional dos filhos.

A realização do evento foi da Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a vereadora Ana Paula Silva.

AUSÊNCIA PATERNA, SOLIDÃO NO PRÉ-NATAL E SILÊNCIO EMOCIONAL TAMBÉM ENTRARAM NO DEBATE SOBRE SAÚDE MENTAL MATERNA

Os profissionais também abordaram uma realidade silenciosa e frequentemente invisível: o abandono emocional vivido por muitas gestantes ainda durante a gravidez. Segundo os participantes, a ausência do companheiro — seja namorado, marido ou do próprio pai da criança em relações não assumidas — costuma gerar impactos profundos na estabilidade emocional da mulher, aumentando quadros de ansiedade, insegurança, medo e sensação de desamparo.

Esse destaque foi dado principalmente pelos psicólogos participantes da roda de conversa e confirmado pelas profissionais ligadas à atenção básica de saúde (PSF), que relataram diferenças percebidas entre atendimentos na rede particular e na rede pública. Segundo os relatos apresentados durante o encontro, na rede privada é mais comum observar mulheres realizando o pré-natal acompanhadas pelos companheiros, mães, sogras ou familiares próximos. Já no atendimento pelo SUS, muitas vezes percebe-se a presença solitária da gestante, enfrentando consultas, exames e dificuldades emocionais sem uma rede de apoio efetiva ao redor.

Durante a roda de conversa, foi destacado que a função paterna começa antes mesmo do nascimento da criança. O acolhimento emocional, a presença afetiva, a participação no pré-natal e o compartilhamento das responsabilidades representam fatores importantes para reduzir o sofrimento psicológico da gestante.

A ausência dessa participação masculina muitas vezes amplia a sobrecarga física e emocional da mulher, principalmente em contextos de vulnerabilidade social ou familiar.

Os especialistas ressaltaram ainda que o chamado “silêncio emocional” é um dos aspectos mais perigosos da saúde mental materna. Muitas mulheres sofrem caladas por medo de julgamentos, vergonha, dependência emocional ou receio de serem vistas como frágeis. Em diversos casos, a gestante continua exercendo múltiplas funções, trabalhando, cuidando da casa e enfrentando conflitos internos, como sentimento de culpa, sem encontrar espaço seguro para diálogo, acolhimento e escuta.

Outro ponto debatido foi o impacto desse cenário também na primeira infância. Segundo os profissionais, crianças absorvem diretamente o ambiente emocional ao redor, e mães submetidas a níveis elevados de estresse, abandono afetivo e sofrimento psicológico tendem a enfrentar maiores dificuldades no vínculo emocional e na construção de uma rotina saudável nos primeiros anos de vida do filho.

Por isso, os participantes reforçaram que cuidar da saúde mental materna significa também investir na saúde emocional das futuras gerações.

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Síntese da reportagem:

🧠 Tema central: saúde mental materna e acolhimento psicológico às mulheres.

📍 Local: Museu Municipal de São João Nepomuceno.

📅 Data: quarta-feira, 27 de maio de 2026.

🕡 Horário: 18h30.

👩‍⚕️ Participantes: psicólogos, enfermeira, agente de saúde, vereadora e comunicador.

💬 Debates: ansiedade, alterações hormonais, gravidez precoce, estresse emocional e ausência de rede de apoio.

⚠️ Alerta: riscos da automedicação e negligência emocional durante gravidez e pós-parto.

📢 Reflexão: conscientização social exige perseverança, informação e continuidade.

📱 Destaque: redes sociais e comunicação ampliam o alcance do debate para além do evento presencial.

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Aristides Dos Santos

Formação: Graduação presencial em TV, Cinema, Rádio e Internet pela UNIBAN (Universidade Bandeirantes do estado de São Paulo), campus Osasco- SP. Habilitação: Trabalhos em audiovisual (cinema), atividades de radiodifusão RTV, produção de livros, revistas e jornais (impressos e digitais), criação e gestão de tráfego pago ou orgânico para internet

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