Tragédia em Juiz de Fora: Após escapar ileso e perder tudo, Paulo Roberto Silva, que só ficou com a “roupa do corpo”, faz apelo, junto ao “Pelezinho”, acolhidos pela irmã em Goianá; Saiba no que pode ajudar
Reportagem Aristides dos Santos / Crédito das informações e imagens: Paulo Roberto
REENCONTRO EMOCIONANTE: CÃO PELÉ VOLTA PARA OS BRAÇOS DO DONO, APÓS PERDER CASA NAS CHUVAS EM JUIZ DE FORA. POR MUITO POUCO, AMBOS NÃO PERDERAM A VIDA

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História de solidariedade mobiliza voluntários e devolve a esperança a um aposentado que perdeu tudo após os temporais na Zona da Mata
A TRAGÉDIA
GOIANÁ, segunda-feira (09) de março de 2026 – Em meio ao cenário de destruição provocado pelas fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, uma história de amor, empatia e solidariedade emocionou moradores de toda a região e ganhou repercussão nacional. O quase aposentado Paulo Roberto da Silva, de 60 anos, ex- coveiro, perdeu tudo quando a casa onde vivia desabou na Rua João Luzia, número 224, no bairro Três Moinhos.
No mesmo endereço funcionavam duas moradias vizinhas da família. Segundo relato de Yago Dyone Oliveira da Silva, de 34 anos, filho da vítima, a casa número 225, onde morava o pai Paulo Roberto, desapareceu do mapa com o desabamento, enquanto a casa número 224, onde ele vivia, também foi atingida e está condenada.
Em conversa com o repórter Aristides dos Santos, Yago explicou a dimensão da tragédia vivida pela família:
“A casa do meu pai era a número cinco e a minha era a número quatro. As duas ficavam ali no mesmo terreno. Quando tudo aconteceu, não teve jeito… a casa dele desabou e a minha também foi perdida. A gente praticamente perdeu tudo de uma vez só.”
O drama da família quase terminou em tragédia ainda maior. A vida de Paulo Roberto da Silva foi salva pelo próprio filho, que percebeu o risco iminente de desmoronamento após os fortes temporais.
Morando ao lado do pai, Yago correu até a residência para alertá-lo e insistiu para que deixasse o imóvel imediatamente. Em entrevista ao repórter Aristides dos Santos, ele relembrou o momento de tensão:
“Eu vi que a situação estava muito perigosa. A casa estava cedendo e eu falei para o meu pai que a gente precisava sair naquele momento. A gente saiu correndo praticamente, porque eu tinha certeza que aquilo podia desabar a qualquer instante.”
O alerta veio no limite do tempo. Mal houve tempo de sair da casa, que acabou desabando poucos instantes. Mais alguns segundos, ambos seriam estatísticas dentre os mortos.
Além do drama do pai, o próprio Yago Dyone Oliveira da Silva, que trabalhou como cobrador de ônibus e atualmente está desempregado, como citado, também perdeu a residência onde morava.
Sem ter mais onde ficar, Paulo Roberto da Silva e o filho foram acolhidos inicialmente em um abrigo emergencial montado na Escola Municipal Áurea Bicalho, no bairro Linhares, estrutura organizada pela Prefeitura de Juiz de Fora para receber famílias atingidas pelas chuvas- contaram por à reportagem.
PAULO MORAVA SOZINHO, MAS TINHA POR COMPANHIA O CÃO PELÉ- A SUA MAIOR PREOCUPAÇÃO NA TRAGÉDIA

Foi nesse cenário de destruição que surgiu um detalhe humano que explica por que essa história comoveu tanta gente. Grandes histórias às vezes surgem de grandes perdas. Paulo Roberto da Silva viu sua casa ser literalmente transformada em lama e entulho, sem que uma simples meia pudesse ser salva.
Mesmo assim, em meio ao choque e ao desespero, a maior preocupação do aposentado era o destino do seu cachorro Pelé, companheiro com quem dividia a humilde casa.
Em conversa com o repórter Aristides dos Santos, Yago contou que aquele foi um dos momentos mais difíceis para o pai:
“Meu pai perdeu tudo. A casa virou lama e entulho, não deu para salvar nada. Mesmo assim, o que mais preocupava ele era o Pelé. Ele falava que não queria perder o cachorro também, porque era o companheiro dele dentro daquela casa simples onde eles viviam juntos.”
Paulo escapou ileso e “Pelezinho” foi resgatado com vida.
Enquanto o drama da família se tornava conhecido, uma corrente de solidariedade começou a surgir. Durante ações de resgate de animais afetados pelas chuvas, voluntários encontraram o cachorro Pelé, que inicialmente seria encaminhado para um canil e, depois, para um lar provisório.
Pouco tempo depois, graças à repercussão do caso, foi possível localizar novamente o dono. O reencontro entre Paulo Roberto da Silva e o cachorro Pelé se transformou em um dos momentos mais emocionantes dessa história acompanhada pelo repórter Aristides dos Santos.
O chamado carinhoso ecoou quando os dois voltaram a se ver: “Pelé! Pelézinho!”. O animal correu ao encontro do dono, encerrando dias de incerteza e separação.
E AGORA, O APELO

Atualmente, Paulo Roberto da Silva, o filho Yago Dyone Oliveira da Silva e o cachorro Pelé estão vivendo temporariamente na casa da irmã de Paulo, Dona Ana Luzia, na cidade de Goianá, próxima a Juiz de Fora, que acolheu a família neste momento difícil.
Perguntado pelo repórter Aristides dos Santos se prefere reconstruir a vida em Juiz de Fora ou permanecer em Goianá, Yago respondeu:
“Eu prefiro aqui. Aqui é mais sossegado e a gente precisa de um lugar tranquilo para recomeçar. Lá em Juiz de Fora ficaram muitas lembranças ruins. Minha filha chorou muito quando a gente saiu correndo de casa. Eu também e meu pai. Agora a gente quer tentar recomeçar em um lugar mais calmo.”

Segundo Yago, a família já procurou apoio junto ao CRAS, ainda quando estava no abrigo instalado na Escola Municipal Áurea Bicalho, e agora aguarda informações sobre quais benefícios sociais poderá receber após a tragédia. Estão esperando o cumprimento das promessas.
Enquanto isso, pedem ajuda para restaurar a casa da irmã, a estrutura está robusta mas o estado de conservação é péssimo.
💳 Chave Pix: 32984630346
📌 Titular: Paulo Roberto da Silva
ORIENTAÇÃO SOBRE DIREITOS DAS VÍTIMAS
O repórter Aristides dos Santos também orientou a família sobre alguns direitos sociais que podem ser buscados por vítimas de desastres naturais, reforçando a importância de acompanhar esses benefícios junto aos órgãos públicos.
Entre as orientações destacadas estão:
📌 Assistência Social
• Procurar ou continuar acompanhando o atendimento junto ao CRAS de Juiz de Fora ou Goianá, para verificar benefícios sociais e programas de apoio a famílias atingidas por desastres.
📌 Programa habitacional para vítimas de tragédias
• Há programas federais que podem viabilizar a construção de moradias para vítimas de desastres, com valores que podem chegar a até cerca de R$ 200 mil, dependendo do enquadramento da família.
📌 Saque do FGTS por calamidade
• Verificar se existe direito ao saque do FGTS, que em situações de calamidade pública pode permitir retirada de valores próximos de R$ 7 mil, dependendo do saldo disponível.
📌 Atendimento de saúde
• Caso haja exames ou atendimentos pendentes, procurar serviços como a Carreta da Saúde em Juiz de Fora, que amplia o acesso a consultas e exames.
📌 Medicamentos gratuitos
• Conferir também o acesso a medicamentos pelo programa Farmácia Popular, que oferece tratamentos gratuitos para diversos problemas de saúde.
A orientação do jornalista Aristides dos Santos é que vítimas de tragédias não deixem de buscar esses direitos, pois muitas vezes entre anúncios oficiais e a realidade do cidadão existe um caminho burocrático que exige acompanhamento e informação.
🎥 Veja agora um dos vídeos mais comentados e compartilhados nas redes sociais mostrando a história do reencontro:
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