Transportadores de combustíveis iniciam greve em todo o estado
Sindicato que representa tanqueiros anuncia adesão de 800 caminhoneiros à paralisação, que também movimenta categoria nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo
O Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Minas Gerais (Sindtanque-MG) anunciou, nesta quinta-feira (21), a suspensão das atividades de todas as transportadoras do estado. No total, 800 caminhões paralisaram à meia-noite, com pontos de retenção em Belo Horizonte e em Betim, na Região Metropolitana. A entidade sindical não dá prazo para o término da greve, que é motivada pela insatisfação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e com “os altos custos dos combustíveis praticados pela Petrobras”.
A paralisação dos tanqueiros vale para todo o estado e, segundo o Sindtanque, também foi aderida por trabalhadores do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Os postos de Juiz de Fora são abastecidos com combustíveis provenientes do Rio de Janeiro e também da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
“Os transportadores estão concentrados nas portarias da BR Distribuidora, ao lado da Refinaria Gabriel Passos (Regap), e das principais distribuidoras de combustíveis, como Shell, Ipiranga e Ale, em Betim”, afirma, em nota, o sindicato.
Crítica ao governo
Em pronunciamento, o presidente do sindicato, Irani Gomes, criticou a falta de política governamental para conter o valor dos combustíveis. “Nós não aguentamos mais as altas dos combustíveis. O óleo diesel representa, hoje, quase 70% do valor do frete. As transportadoras estão quebrando (…). Pedimos a sensibilidade do Governo, mas o Governo não está se importando com a categoria que, hoje, carrega mais de um terço da economia do estado. Estamos com os braços cruzados até que o Governo se sensibilize e olhe para a categoria”, afirma.
A greve é acompanhada por viaturas da Polícia Militar, mas a movimentação ocorre de forma pacífica. Na manifestação, dois caixões foram colocados na entrada da BR Distribuidora, simbolizando a “morte do frete”, segundo o Sindtanque.
Nas rodovias da região de Juiz de Fora, entretanto, não há nenhuma paralisação, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Movimento pode causar desabastecimento, informa Minaspetro
Em contato com a reportagem, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) informou que, caso o movimento dure mais de 24 horas, “é possível que haja desabastecimento em postos que apresentavam estoques mais baixos”.
O Minaspetro informou que apoia as demandas dos caminhoneiros e que tem articulado com as autoridades a redução das taxas que incidem nos combustíveis. “O setor de combustíveis tem vivido uma intensa crise nos últimos meses, com ameaça de falta de produto pela Petrobras, escalada de preços e instabilidade internacional”, afirma, em nota.
Apesar de ressaltar as dificuldades e afirmar que apoia o pleito dos tanqueiros, o Minaspetro pondera que “acredita que em um momento de forte instabilidade, em que a população já sofre com altos preços e desemprego por causa dos efeitos da pandemia, a realização de greve não é o caminho ideal para a solução do problema”.
Gasolina em 2021 dispara e reflete em manifestações
Reportagem publicada pela Tribuna nesta quinta-feira revela que o preço da gasolina chega a custar quase R$ 7 em postos de Juiz de Fora. O valor pago pelo combustível aumentou após o último reajuste anunciado pela Petrobras, no início deste mês, depois de 58 dias de estabilidade. Na semana seguinte, após o aumento nas refinarias entrar em vigor, os postos na cidade registraram alta de 4,7% no preço médio da gasolina, de acordo com o último levantamento feito pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em janeiro, o valor do combustível chegava a R$ 5,16, passando a subir com os constantes reajustes de taxas nas refinarias.
Com a alta nos preços, os taqueiros iniciaram movimentos grevistas ou ameaçaram paralisações constantemente ao longo do ano. Em fevereiro, manifestação contra o Governo de Minas Gerais chegou a afetar o abastecimento em Juiz de Fora. Após dois dias, entretanto, os caminhoneiros interromperam as atividades e o movimento nos postos foi normalizado.
Em setembro, a categoria voltou a deflagrar greve em Minas Gerais. A data escolhida para o início do movimento foi o dia 7 de setembro, dia em que tanqueiros de outros estados brasileiros também ensaiaram uma paralisação. No dia seguinte, os caminhoneiros voltaram a circular normalmente pelas rodovias do estado.
A categoria voltou a ameaçar uma paralisação no dia 9 de setembro, anunciando redução pela metade na distribuição de combustível em Minas Gerais. A ameaça aconteceu menos de uma semana antes de reunião de representantes dos tanqueiros com o governador Romeu Zema (Novo), mas não chegou a afetar o estoque dos postos de combustível de Juiz de Fora.
Fonte: Tribuna de Minas

