Bloco do Zé Pereira e Quatro Gerações mantém a tradição, movimentando moradores da Rua Nova e simpatizantes em outros bairros
Reportagem e imagens Aristides dos Santos / Crédito das informações: Organizadores dos blocos Bloco do Zé Pereira e Quatro Gerações
ZÉ PEREIRA, COM RAÍZES EM RIO NOVO, MANTÉM TRADIÇÃO DAS MARCHINHAS DE CARNAVAL, BONECOS DE OLINDA E MARIAS QUITÉRIAS

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Músicos preservam a essência do carnaval popular com fanfarra, marchinhas e tradição que atravessa gerações
RIO NOVO, quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026 – O tradicional Bloco do Zé Pereira de Rio Novo segue reafirmando seu papel como um dos pilares do carnaval popular da cidade. Com raízes históricas que remetem às antigas manifestações do século XIX, o Zé Pereira mantém viva a essência das fanfarras que anunciam a chegada da folia pelas ruas, reunindo músicos experientes, famílias e foliões de todas as idades.
Entre os nomes que integram essa tradição está o ator EVERSON REZENDE, que participa ativamente da formação musical do bloco, ajudando a manter o ritmo contagiante que marca o desfile. No Zé Pereira, a música não é apenas acompanhamento — ela é o próprio coração da manifestação cultural.
Os organizadores do Bloco do Zé Pereira são: Everson Rezende (coordenação), Zé Temponi, Ítalo do Carneirinho, João Gato, Alex do Bar, Marcos Zonzo, Rafael Girardi, Ivanize Rezende e Flávio Rosa.
Com instrumentos de sopro e percussão, o bloco executa marchinhas clássicas que atravessam gerações. O som ecoa pelas ruas centrais de São João Nepomuceno, criando um ambiente que mistura nostalgia, identidade cultural e alegria compartilhada pela multidão. O modelo de fanfarra, com músicos de Rio Novo, preserva o formato mais autêntico do carnaval de rua, sem depender de grandes estruturas, priorizando o contato direto entre músicos e público.
O Bloco do Zé Pereira é reconhecido como símbolo do carnaval popular mineiro. Em Rio Novo, consolidou-se como uma tradição que une passado e presente, fortalecendo o sentimento comunitário e mantendo viva uma herança cultural que atravessa décadas. É a principal atração daquele município no carnaval.
DA RUA NOVA PARA A HISTÓRIA: DOIS BLOCOS, UM MESMO CHÃO E DÉCADAS DE TRADIÇÃO NO CARNAVAL
Rua Nova se transforma em palco de memória, identidade e reencontros com os blocos Zé Pereira e 4 Gerações
SÃO JOÃO NEPOMUCENO, quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 – A tradicional Rua Comendador José Soares, carinhosamente conhecida como Rua Nova, volta a ocupar lugar de destaque na memória afetiva do carnaval sanjoanense. Dois blocos emblemáticos — Zé Pereira e 4 Gerações — compartilham o mesmo ponto de concentração, percurso e dispersão, mas carregam histórias próprias, construídas em épocas diferentes.
Nossa entrevistada relembra que a ideia de montar o bloco que estreou no carnaval de 1971 nasceu do coração dos moradores Maria da Glória Gonçalves Castro Mendonça (Dona Glorinha) e do senhor Alfredo Dias da Silva. A cidade atravessava um momento difícil, e o objetivo era simples e profundo: levar alegria ao povo. Criar uma oportunidade para que as famílias pudessem aproveitar o carnaval com paz e amor.
“Tudo era organizado no galpão da casa do Sr. Alfredo. Enfeites, fantasias, era uma festa. Recordo das arrumações e produção para o bloco que movimentava a ‘Rua Nova’, na década de 70”, recorda.
Desde o primeiro ano, a marca registrada foi a fantasia de palhaço — simples, acessível e carregada de significado. Além da irreverência, havia uma função estratégica: camuflar identidades. Segundo relato, muitas pessoas eram proibidas de brincar o carnaval por pais, maridos ou irmãos. Ao se vestirem e se maquiaram como palhaços, conseguiam participar da folia sem serem reconhecidas. A rua ganhava cores, sorrisos e a tradicional bandinha, que dava o ritmo à alegria coletiva.
✓ Imagens da dispersão do bloco, já no Circuito do Samba.


O bloco passou por um período de inatividade — não há registros precisos sobre quanto tempo permaneceu parado — até ser reativado em 2005. A retomada aconteceu sob a liderança do então presidente do Bloco 4 Gerações, Marcelo Antonucci “Pitico”, também morador da Rua Nova, que ajudou a reacender a chama da tradição carnavalesca no local.
O Bloco 4 Gerações, por sua vez, também carrega identidade própria, mas compartilha com o Zé Pereira o mesmo ponto de partida e chegada. A concentração acontece na Rua Comendador José Soares (Rua Nova), especificamente na esquina com a Rua Nazareth. Dali, o percurso segue pelos arredores, com acesso estratégico para o bairro São José, bairro São Sebastião e o tradicional Largo da Matriz — ponto simbólico de encontros e dispersão.
A coincidência une as duas histórias, mas cada bloco mantém sua essência, seu público e sua trajetória.

A Rua Nova, portanto, não é apenas cenário de fundo: é parte viva do carnaval de São João Nepomuceno, de geração para geração, há mais de cinco décadas.
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