Solidariedade a 100% em São João Nepomuceno
No momento delicado em que o mundo está passando, a solidariedade surge no ser humano de várias formas. Em São João Nepomuceno, que é polo têxtil da Zona da Mata Mineira, duas confecções estão produzindo materiais de proteção utilizados no Hospital São João, Lar Ambrosina de Mattos e também pelos agentes de saúde da Secretaria de Saúde Municipal.

As Confecções HJuliano, pertencente aos empresários Ernandes José da Silva e de sua Esposa Rita, junto com vários voluntários e a Confecção Lábios de Mel, dos empresários Luiz Henrique de Castro e sua esposa Teteca, começaram a produzir capotes, máscaras, jalecos e outros materiais que são possíveis de produção, para fornecer, neste momento em que o próprio Município (Prefeitura) e as instituições estão passando por dificuldades para fazer aquisição dos mesmo itens.
Além das confecções, a loja de aviamento “Ponto a Ponto”, dos proprietários Crystian e Gizele Saar, fez a doação de uma grande quantidade de material para a produção desses materiais.


Outro destaque na cidade de São João Nepomuceno foi a iniciativa do cidadão Aldo Philadelfia, que colocou desde o início das mobilizações (dia 16 de março), o seu serviço voluntário a disposição de idosos e pessoas do grupo de risco, para que ele fosse o representante dessas pessoas, dentro do possível, para buscar alimentos no mercado e aquisição de outros produtos, sendo ele exemplo que vem sendo seguido por outros membros da sociedade, ajudando assim, dezenas de senhores e senhor, a permanecerem em suas residências em distanciamento social, uma vez que são mais suscetíveis a serem contaminados pelo COVID-19.
Pandemia de Covid-19 desperta a solidariedade nas empresas em todo o país
Mesmo cientes de que a crise deve atingir negócios de todos os portes, os empresários brasileiros adotam iniciativas de combate à propagação da Covid-19, como a produção e a distribuição de máscaras e álcool em gel, doações e medidas para tentar manter empregos

A pandemia de coronavírus espalhou, além da Covid-19, pânico
e desolação entre a população brasileira. Mas também despertou o que há de
melhor nos seres humanos: a solidariedade. O sentimento de que é preciso ajudar
o outro extrapolou as relações pessoais. Diante de um provável colapso da
economia, com o fechamento de atividades não essenciais, empresários abrem mão
do lucro para manter empregos, fazer com que as doações cheguem onde realmente
são necessárias e mudam a produção para garantir o abastecimento de produtos
essenciais em tempos de contaminação.
No Brasil, os exemplos se multiplicam. Desde as redes de supermercados que
estão definindo horários exclusivos para os idosos, com maior risco, passando
por grupos de comunicação que estão abrindo gratuitamente os serviços para
levar informação a todos, até negócios familiares que distribuem equipamentos
aos funcionários e asseguram isolamento sem descontar salário, os empresários
brasileiros estão mostrando que nem tudo se resume a lucro e que, na hora do
aperto, a urgência é de ajudar quem mais precisa.
Pesquisa elaborada pela Rede Brasil do Pacto Global, iniciativa de
sustentabilidade corporativa da Organização das Nações Unidas (ONU), verificou
que 10% dos entrevistados estão desenvolvendo medidas para conter ou limitar o
avanço da Covid-19, como a doação de equipamentos ou insumos a hospitais. Carlo
Pereira, diretor executivo do Pacto Global, explica que a crise do coronavírus
traz pressões adicionais. “As companhias têm de agir com cidadania empresarial
para a continuidade dos negócios e da economia como um todo”, afirma.
A fábrica de lingerie Indecense, de Guaporé (RS), não
hesitou em parar a produção de mercadorias de grife para focar na confecção de
máscaras, produto essencial para evitar a propagação do novo coronavírus e que
está em falta em quase todo o país. As donas da Indecense, as irmãs Loivane e
Eliane Dal Sant, estão distribuindo as máscaras para mercados, farmácias e
postos de gasolina a fim de garantir a saúde dos funcionários dos comércios que
permanecem abertos.
Grandes grupos, como Ambev e Boticário, aproveitam a sinergia dos negócios para
formar uma coalizão de distribuição de álcool em gel, explica Carlo Pereira.
“Nos desastres em Minas Gerais (Brumadinho e Mariana), foram tantas as doações
que faltou coordenação para distribuí-las. E é isso que as empresas estão
organizando agora, para que os produtos doados sejam aqueles realmente em falta
e que cheguem onde são necessários”, ressalta.
A TruckPad, plataforma de conexão entre caminhoneiros e cargas da América
Latina, está disposta a ajudar no transporte de mercadorias essenciais neste
momento de crise. Carlos Mira, CEO da TruckPad, diz que a empresa oferece
transporte gratuito para mercadorias que forem doadas a hospitais e entidades
de assistência médica. “Fizemos uma pesquisa recente e quase 100% dos
caminhoneiros estão dispostos a continuar trabalhando, para evitar
desabastecimento no país”, afirma. A plataforma tem 400 mil motoristas
cadastrados. “Qualquer entidade que for doar material para hospitais, lotes de
álcool em gel, máscaras, pode solicitar nosso apoio. Vamos localizar e
contratar o caminhoneiro. O frete será doado. É nossa contribuição”, garante.
Segundo Carlo Pereira, do Pacto Global, há um sentimento de comunidade muito
grande nos líderes empresariais. “Os empresários nos perguntam o que podem
fazer para colaborar”, assinala. Para ele, a pandemia despertou um sentimento
de comunidade que estava adormecido nas últimas décadas. “Há um distanciamento
cronológico das novas gerações da Segunda Guerra Mundial, que foi o último
evento mundial que gerou essa onda de solidariedade global”, opina.
Entre as medidas mais comuns promovidas pelas empresas para a contenção do
avanço do vírus está a adoção de políticas de home office. A maior parte, 77%,
de acordo com a pesquisa Rede Brasil do Pacto Global, implementou algum tipo de
trabalho remoto. Sempre que dá, os trabalhadores estão exercendo as atividades
de suas casas e, quando isso não é possível para todos, é priorizado para
indivíduos mais vulneráveis. As reuniões presenciais e viagens também têm sido
evitadas pela maioria das organizações (95%). Outra forma apontada para conter
a disseminação do vírus é a adoção de canais para esclarecimento de dúvidas:
90% divulgam informações de prevenção em canais internos e possuem
profissionais da saúde disponíveis para tirar dúvidas.
No litoral gaúcho, a sorveteria Milão exerce a cidadania empresarial a que
Pereira se refere. Mesmo diante de uma possível queda na receita, a empresa
familiar dispensou os funcionários, sem descontar salário, e criou um grupo de
WhatsApp, chamado Milão X Coronavírus, ao qual todos devem ficar atentos para receber
informações e manter contato. A Milão também concedeu equipamentos como
máscaras e borrifadores de álcool 70% e está organizando férias em turnos, para
que os funcionários não sejam prejudicados diante do caos econômico que está
por vir.
Cooperação
Para a especialista em direito comercial Adriana Pugliesi, a
maioria das pessoas está se mobilizando em regime de cooperação com relação ao
impacto dos negócios. “O mercado e as relações econômicas tem uma forma de
rede, os agentes estão entrelaçados. Em alguns casos, não é que os negócios
sejam bonzinhos. Como estão interligados, precisam da saúde financeira de seus
parceiros”, explica Adriana. Na correlação de forças, os grandes ajudam os
menores para que todos sobrevivam.
Ela ressalta, contudo, que alguns setores estão sendo diretamente atingidos,
como aéreo, turismo, transportes. “Mesmo que alguns trabalhadores possam fazer
home office, outros precisam estar na linha de frente”, alerta. Adriana lembra
que o Brasil já vinha passando por crise relevante desde 2014. “Estávamos em um
processo de lenta retomada e muitas empresas já vinham em crise financeira.
Agora, o impacto será ainda maior e não dá para depender apenas do Estado. Por
isso, o regime de cooperação vai ser muito acentuado agora”, diz.
Aplicativos de comida e de transporte estão atentos às
necessidades especiais do atual momento. O iFood está destinando R$ 50 milhões
da sua receita para um fundo de assistência focado nos pequenos restaurantes e
injeta R$ 600 milhões de capital de giro no mercado brasileiro, antecipando os
recebimentos, sem custo adicional. O valor arrecadado pelo iFood em taxas do
serviço “Pra Retirar” (no qual os usuários fazem o pedido via app e retiram
diretamente no restaurante) será devolvido integralmente aos parceiros. Também
disponibilizou aos usuários do app a opção “Entrega sem Contato”, solução para
evitar a propagação e garantir que mesmo quem esteja infectado possa pedir
comida em casa sem correr o risco de transmitir o vírus.
A Uber colocou uma equipe disponível 24 horas por dia para auxiliar as
autoridades de saúde pública em seu plano de resposta contra a pandemia.
“Durante o nosso trabalho com as autoridades, é possível que ocorra a suspensão
temporária de contas de usuários ou motoristas parceiros após a confirmação de
que contraíram ou foram expostos à Covid-19. Também contamos com a consultoria
de um epidemiologista para garantir que as medidas tomadas por nossa empresa
sejam embasadas em orientações médicas”, explica o CEO, Dara Khosrowshahi.
A companhia também garante assistência financeira por até 14 dias aos
motoristas parceiros que porventura sejam contaminados, enquanto sua conta
estiver suspensa. “Nós já ajudamos motoristas parceiros em algumas áreas
afetadas e estamos trabalhando para implementar essa medida rapidamente em todo
o mundo”, diz. Também está disponilizando recursos para ajudar os motoristas
parceiros a manterem seus carros limpos.
Há uma máxima que diz que momentos de crise são também de oportunidade. A hora
é agora para cada um fazer a sua parte: ficar em casa e não perder a
oportunidade de ser solidário.
Fonte: Simone Kafruni – Correio Braziliense Economia














Parabéns ao prefeito e aos empresários pela iniciativa de doarem os materiais de prevenção.